Na Missão SOS Vida, a recuperação não é o fim — é o começo de um novo chamado. Ex-acolhidos se tornam voluntários e coordenadores, devolvendo em amor o que um dia receberam em forma de acolhimento.
Na Missão SOS Vida, cada chegada carrega uma história de dor, abandono ou vício. Mas, entre estradas de queda e reerguida, muitos encontram ali mais do que recuperação: encontram um propósito. São homens que, ao se reerguerem, descobrem o chamado para servir, acolher e transformar a vida de outros.
São os vocacionados da Missão: ex-acolhidos que permanecem como colaboradores, devolvendo com generosidade o cuidado que um dia receberam.
A missão que transforma
A Missão SOS Vida, com unidades em Pato Branco (PR), Chopinzinho (PR), Xanxerê (SC) e a unidade feminina – Casa Santa Marta em Bom Sucesso do Sul (PR), acolhe pessoas em situação de rua, dependência química e vulnerabilidade social.
O processo terapêutico é integral: envolve disciplina, espiritualidade, práticas inclusivas, reinserção social e acompanhamento técnico. Ao longo dos meses, muitos passam da dor da chegada à alegria da superação — e alguns, ao chamado da vocação.
Quando o servir se torna chamado
Durante o tratamento, uma semente se planta. Aqueles que um dia foram acolhidos, passam a se reconhecer como instrumentos de acolhimento.
Tocados pelo amor recebido, muitas dessas pessoas escolhem permanecer e servir. Tornam-se líderes, cuidadores, monitores e até coordenadores de unidades.
Em um ambiente movido pela oração, trabalho e empatia, esses vocacionados se tornam prova viva de que a recuperação é possível — e de que ela pode gerar frutos para muitos outros.
Histórias que inspiram
Jamil Alves de Miranda chegou em 2018, após 17 anos no vício do crack. Antes de se firmar no processo de recuperação, passou por três internamentos, até encontrar na Missão SOS Vida o lugar onde realmente se reconectou com a vida.
Ali, encontrou mais do que ajuda: encontrou Deus, uma nova família e a si mesmo. Passou pelo batismo, fez a primeira comunhão, a crisma e realizou o sonho de casar-se na Igreja. Hoje é ministro da Eucaristia, coordenador e voluntário ativo, levando sua história de superação a cada novo acolhido que chega.
“A missão me devolveu a vida. Por ela, Deus restaurou minha dignidade, minha fé e minha família. Hoje sou prova viva de que vale a pena lutar.”

Adilson Pereira dos Santos enfrentou 25 anos de dependência química e alcoolismo. Foram 15 internamentos ao longo da vida, e quando chegou à Missão SOS Vida, em 2021, já havia perdido a esperança. Não acreditava mais em si mesmo, nem em uma possível recuperação.
Mas algo começou a mudar. Através da oração, da disciplina e do trabalho diário, reencontrou a fé, a dignidade e o desejo de viver. Está há mais de 4 anos na Missão, dos quais quase 4 em Xanxerê, onde atua como coordenador, missionário e ministro.
“Nem eu acreditava mais em mim. Mas a Missão acreditou. Hoje, coordeno e acolho outros com a mesma dor que já senti. É minha forma de agradecer.”

Curados para cuidar
Esses vocacionados trazem uma força única à Missão. Sabem como é chegar no fundo do poço. Por isso, sua presença inspira, consola e encoraja. São espelhos para quem começa a trilhar o mesmo caminho. São faróis que anunciam: há saída, há esperança, há futuro.
A vida na Missão é profundamente espiritual. Missas, terços, grupos de oração e momentos de silêncio alimentam a alma e fortalecem a vocação. Os que escolhem servir são movidos por essa fé concreta, que se expressa em ações, no cuidado com o outro e na partilha da vida.
Na Missão SOS Vida, curar-se é mais do que um objetivo — é um recomeço. Cada vocacionado que decide ficar e servir é um testemunho vivo de que o amor transforma. De que a espiritualidade sustenta. E de que a dor, quando acolhida, pode gerar uma missão.
Carla Casagrande – Jornalista


